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A dramática reviravolta da Bélgica: Tielemans garante vaga nos oitavos com penálti histórico

Mason Hart
Mason Hart
Publicado: 02.07.2026 Atualizado: 15.09.2026

A Bélgica sobreviveu a uma das noites mais dramáticas da recente história do Mundial, revertendo uma desvantagem de dois golos frente ao Senegal para avançar para os oitavos de final graças a um penálti de Youri Tielemans convertido aos 124 minutos e 44 segundos — o golo da vitória mais tardio alguma vez registado na história do torneio. O jogo terminou em polémica, com os jogadores senegaleses furiosos com a decisão do penálti que lhes negou o que parecia ser uma marcação de grandes penalidades certa.

Uma sensação familiar de injustiça para o Senegal

Para o Senegal, a forma da derrota teve um eco desconfortável. No início deste ano, na final da Taça das Nações Africanas em janeiro, tinham abandonado o campo consumidos por um sentimento de injustiça. Desta vez, embora tenham permanecido até ao apito final, a sensação de terem sido prejudicados não foi menos aguda após uma revisão do VAR ter dado à Bélgica uma tábua de salvação já no prolongamento.

O momento decisivo chegou quando o árbitro Saíd Martínez consultou o monitor à beira do campo e assinalou penálti pela entrada de Lamine Camara no tornozelo de Youri Tielemans — uma falta que ocorreu apenas momentos antes de Dodi Lukebakio ter tocado na barra. Pathe Ciss tentou atrasar o pontapé enrolando-se no chão perto da marca de penálti, enquanto Romelu Lukaku batia a bola com impaciência na entrada da área. Rudi Garcia virou as costas à linha lateral, incapaz de olhar, enquanto Tielemans se aproximava e convertia com uma compostura gélida. Um Camara desolado abandonou o campo em lágrimas, com a camisola verde a cobrir-lhe o rosto.

A história de revirvoltas da Bélgica

Esta não era a primeira vez que a Bélgica recuperava de dois golos de desvantagem num Mundial. Na Rússia em 2018, reverteram memoravelmente um 0-2 frente ao Japão, acabando por vencer 3-2 para chegar aos quartos de final — com Tielemans a observar do banco como suplente. Vários veteranos daquela noite em Rostov-on-Don — Thibaut Courtois, Thomas Meunier, Romelu Lukaku e Kevin De Bruyne — voltaram a estar em campo neste encontro, embora De Bruyne e Jeremy Doku tenham sido substituídos aos 11 minutos da segunda parte enquanto Garcia procurava injetar energia fresca.

Nesse momento, Ismaïla Sarr acabara de duplicar a vantagem do Senegal com um momento de brilhantismo individual, deixando as perspetivas da Bélgica muito sombrias.

O ponto de viragem: tensão nas fileiras

O que desencadeou a reação da Bélgica? Um possível catalisador foi a acesa discussão entre Tielemans e Leandro Trossard durante a pausa para hidratação da segunda parte. Lukaku e o suplente Nico Raskin intervieram para desanuviar a situação. “O Lukaku tentou acalmar os dois”, disse Garcia após o jogo. “Não sei porque é que estavam a discutir, mas gosto disso — precisamos desse tipo de garra em campo. Quando assumi a equipa há 18 meses, achei que eram muito bons com a bola, mas que não eram suficientemente agressivos, e assim não se conseguem resultados — é preciso ser sólido, é preciso lutar para estar lá. Somos uma equipa melhor se mantivermos isto.”

Os suplentes mudam o jogo

O impacto dos jogadores do banco de Garcia revelou-se decisivo. Lukaku entrou ao intervalo em lugar do ineficaz Charles De Ketelaere e deixou a sua marca ao minuto 86, finalizando o cruzamento de Meunier no primeiro poste após superar Ciss. Lukebakio, que entrou por Doku, também deixou a sua marca a partir do banco, enquanto Raskin substituiu De Bruyne, que ficou reduzido a animar da linha lateral antes de se juntar às celebrações do prolongamento.

Três minutos antes do golo de Lukaku, Courtois realizou uma defesa crucial para negar a Sadio Mané o que teria sido o terceiro golo do Senegal. Essa intervenção revelou-se fundamental. Tielemans empatou a 2-2 ao minuto 89 com uma cabeçada corajosa do preciso cruzamento de Trossard, tendo apontado ao companheiro o espaço atrás de Moussa Niakhate. Espremido entre dois defesas, Tielemans elevou-se para bater o guarda-redes Mory Diaw — a substituir o lesionado Edouard Mendy — na bola.

O domínio do Senegal que não chegou

Durante longos períodos, o Senegal foi a equipa superior. Sarr atingiu o poste duas vezes nos primeiros 24 minutos, com Habib Diarra a aproveitar o segundo ressalto para inaugurar o marcador. Seis minutos após o intervalo, Sarr protagonizou um momento de genuína classe: recebendo o passe lançado de Niakhate em corrida, controlando a bola no peito na entrada da área, deixando-a ressaltar e depois disparando para a baliza de Courtois com o toque seguinte. Nesse momento, uma vitória da Bélgica parecia quase inconcebível.

Trossard caiu de joelhos aliviado após o empate de Tielemans, com Diego Moreira a correr para abraçar o avançado do Arsenal. Os jogadores do Senegal protestaram que Niakhate tinha sido empurrado antes da cabeçada, mas o selecionador Pape Thiaw — membro da seleção senegalesa que venceu a Suécia em 2002, a sua última vitória numa eliminatória do Mundial — optou por não criticar publicamente os árbitros. “É uma derrota cruel”, disse. “Tínhamos a vantagem, estávamos a ganhar 2-0, mas um jogo de futebol não são 85 minutos. A Bélgica voltou e nós não fomos capazes de lidar com isso.”

A última palavra de Garcia

A Bélgica avança agora para defrontar os EUA nos oitavos de final, com o jogo marcado para segunda-feira (terça-feira à 1h BST). Garcia refletiu sobre a natureza extraordinária da reviravolta e o papel que a fricção interna pode ter desempenhado no seu desencadeamento. “O futebol são emoções — nunca está perdido, é preciso acreditar sempre”, disse. “O pior é não dizer as coisas e morrer, porque realmente queríamos mudar a situação, e foi isso que fizemos.”

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