Mikel Merino voltou a fazê-lo — o suplente de impacto definitivo marcou mais um golo tardio impressionante para levar a Espanha às meias-finais do Mundial. O seu golo aos 88 minutos frente à Bélgica completou uma narrativa de reviravolta extraordinária, com o jogo a virar-se em torno de uma lesão custosa do guarda-redes que deixou os belgas expostos no momento crucial.
O supersuplente volta a golpear
Merino entrou em campo aos 85:32 com o marcador empatado a 1-1 e menos de dois minutos de tempo regulamentar por disputar. O que se seguiu desafiou qualquer explicação racional — Pau Cubarsí rematou e o guarda-redes suplente Senne Lammens não conseguiu segurar a bola, e Merino estava perfeitamente posicionado para esmagar o ressalto para as redes aos 87:27. Toda a sequência durou apenas um minuto e 56 segundos desde a sua entrada até ao momento decisivo.
Esta foi a terceira vez que Merino marcou um golo tardio e decisivo para o torneio em competições consecutivas. As suas intervenções anteriores chegaram ao minuto 119 frente à Alemanha e ao 91 frente a Portugal, mas este golo teve um significado pessoal especial — o seu filho Marco, de dois meses, assistiu pela primeira vez das bancadas. “Como ele não estava nos quartos de final, tive de o fazer também nas meias-finais para que ele também pudesse viver isso,” disse Merino após o jogo.
O domínio inicial da Espanha
Luis de la Fuente tomou uma decisão tática ousada antes do apito inicial, optando por alinhar Fabián Ruiz em vez de Pedri no centro do meio-campo. O médio do PSG justificou essa escolha quase de imediato, criando a primeira oportunidade real com um recuo para Rodri nos primeiros dez minutos. Vinte minutos depois, o próprio Ruiz converteu o primeiro golo.
O lance que originou o golo mostrou o jogo de ataque fluido da Espanha no seu melhor. Lamine Yamal entregou um passe perfeitamente medido para lançar Pedro Porro pela ala direita, e o seu cruzamento encontrou Dani Olmo, cujo remate de primeira foi desviado por Thibaut Courtois. Ruiz reagiu mais rápido à bola solta, empurrando-a para a baliza e celebrando ao meter a bola por baixo da camisola.
A Espanha continuou a pressionar em busca do segundo golo, com Cubarsí a filtrar uma bola que quase deixou Álex Baena isolado, e Lamine Yamal a demonstrar o seu controlo excecional para escapar a Jérémy Doku antes de acertar no poste exterior. O jogo parecia deslizar confortavelmente a favor dos espanhóis.
O empate da Bélgica muda a narrativa
A atmosfera de conforto evaporou-se aos 40 minutos quando a Bélgica empatou — e ao fazê-lo, pôs fim ao registo defensivo perfeito da Espanha neste Mundial. Charles De Ketelaere cabeceou com força para fazer o 1-1, com o golo a ter origem na energia incansável de Jérémy Doku a avançar.
Kevin De Bruyne foi o arquiteto do empate, produzindo um passe limpo e sem hesitação de primeira que permitiu a Timothy Castagne entregar um cruzamento preciso para a área. De Ketelaere calculou a sua corrida na perfeição, antecipando-se a Cubarsí para dirigir a bola para a baliza. Foi o primeiro momento de qualidade genuína da Bélgica, e chegou no momento exato.
Pressão na segunda parte e resistência belga
A segunda parte recomeçou com Lamine Yamal novamente no coração do ataque da Espanha, embora Courtois — antes da sua lesão — continuasse a frustrar os avançados de La Roja. O guarda-redes belga negou o golo a Yamal por duas vezes e manteve Oyarzabal à distância enquanto a Espanha pressionava sem descanso em busca do golo decisivo. No outro extremo, Maxim De Cuyper desperdiçou uma oportunidade clara, rematando para o poste exterior após uma combinação perigosa entre Doku e De Bruyne.
A resistência da Bélgica foi sendo gradualmente desgastada pelos crescentes problemas físicos e táticos. Youri Tielemans tinha sido retirado do onze inicial mesmo antes do apito inicial, e a meio da segunda parte Courtois foi forçado a sair em lágrimas, agarrando a coxa. De Bruyne acabou por segui-lo para o banco. Com os seus jogadores mais influentes fora de campo, a Bélgica resistiu com tudo o que tinha — mas o tempo estava a esgotar-se.
Merino sela o destino da Espanha
Com cinco minutos por disputar e o marcador ainda empatado, de la Fuente recorreu à sua arma mais fiável. Merino entrou em campo aos 85:32, e em menos de dois minutos o jogo estava decidido. O remate de Cubarsí foi mal agarrado por Lammens — o guarda-redes substituto que tinha sido lançado para uma situação impossível — e Merino estava lá para finalizar com precisão clínica.
O golo desencadeou celebrações eufóricas, com Merino a correr em direção à bandeirinha de canto na corrida de homenagem que já tornou sua, dedicada ao seu pai Angel. Entretanto, Courtois só podia observar do banco, incapaz de intervir no momento que pôs fim à campanha da Bélgica no Mundial. Para a Espanha, a vitória pareceu mais do que um simples resultado — pareceu um destino, com duas vitórias dramáticas consecutivas nos últimos instantes a sugerir que algo extraordinário está a tomar forma neste torneio.

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