Uma exibição de destaque na Europa frente ao AEK de Atenas voltou a colocar em evidência o enorme talento de Phil Foden. Eleito o melhor jogador da partida, recordou as qualidades que tinham ficado menos visíveis durante as suas dificuldades recentes.
As duas épocas anteriores tinham ficado aquém das expectativas, algo que o próprio médio reconheceu. Para quem já se tivesse esquecido do seu melhor futebol, esta exibição na Liga dos Campeões constituiu uma resposta convincente.
O novo começo de Foden ganha força
Ficar fora da convocatória de Inglaterra para o Mundial do verão passado agravou esse período difícil. Antes da nova época, porém, Foden disse aos jornalistas que acolhia com entusiasmo a oportunidade de recomeçar sob o comando do recém-chegado Enzo Maresca.
Esse recomeço demorou a ganhar força. Setembro trouxe um revés particularmente doloroso, com a expulsão no dérbi frente ao Manchester United, mas o encontro de sábado com o Ipswich permitiu-lhe finalmente reencontrar o golo.
O remate certeiro dessa tarde encerrou uma espera de 10 meses sem marcar na Premier League. Na terça-feira chegaram mais três: o jogador de 26 anos completou um excelente hat-trick na goleada do City ao Atenas por 5-1 no Etihad Stadium, sugerindo que o golo do fim de semana o tinha libertado.
Os golos devolvem prazer e confiança
Em declarações à TNT Sports, Foden explicou o prazer que aquela noite lhe tinha proporcionado. Elogiou mais uma excelente prestação coletiva e a determinação dos companheiros, salientando que um jogador de ataque deve contribuir com golos e apoiar a equipa. Marcar, acrescentou, reforçava a sua confiança.
Questionado sobre o regresso ao seu melhor futebol, fez uma avaliação prudentemente positiva: o progresso surgia de forma gradual, embora ainda existisse uma margem considerável para melhorar. Sentia que se aproximava do objetivo e que marcar durante esse processo era claramente benéfico.
A sua intenção, explicou, era manter a dedicação e oferecer o nível mais elevado de que fosse capaz ao treinador e à equipa. A prioridade era continuar esse trabalho, em vez de encarar uma noite bem-sucedida como o fim da recuperação.
Uma opção de falso nove sem Haaland
Para os adeptos do City, foi especialmente gratificante ver um Foden feliz a jogar com fluidez. Participou em quatro dos cinco golos da equipa, dando ao público da casa muitos motivos para festejar.
Maresca tinha arriscado numa ampla rotação após a vitória frente ao Ipswich, substituindo oito elementos do onze inicial. Apenas Gianluigi Donnarumma, Ruben Dias e Foden mantiveram os seus lugares, o que tornava particularmente significativa a dimensão das alterações.
Embora estivesse entre os jogadores disponíveis, Erling Haaland não foi utilizado depois de sofrer uma pancada no pé no encontro anterior. A sua ausência permitiu ao treinador explorar uma ideia que já tinha apresentado: recorrer a Foden como falso nove para responder às necessidades dessa posição.
Inicialmente colocado na ala direita, Foden passou depois a desempenhar a função central. A alteração produziu resultados e, no final, o próprio jogador destacou o prazer especial que sentira ao atuar nessa posição.
Um hat-trick na Liga dos Campeões com companhia histórica
O desfecho não esteve totalmente isento de preocupação. Pouco depois do intervalo, o Atenas reduziu para 2-1 e inquietou brevemente os anfitriões. O City reagiu com nova aceleração e acabou por estabelecer uma vantagem confortável antes do apito final.
Com três golos e uma assistência, Foden entrou num grupo restrito de ingleses na Liga dos Campeões. Apenas Wayne Rooney, pelo Manchester United em 2004, e o antigo colega do City Raheem Sterling, em 2019, tinham anteriormente reunido esses feitos num único jogo.
O primeiro e o último golos foram marcados de perto, enquanto o segundo revelou outro tipo de precisão. Ligeiramente dentro da área, ajustou o corpo e colocou um remate de primeira no ângulo superior com um controlo notável.
Lescott vê uma solução para ponta de lança
Na sua análise na TNT Sports, o antigo defesa do City Joleon Lescott escolheu a beleza como característica definidora da exibição de Foden. Ficou particularmente impressionado com a delicadeza e a precisão da finalização.
Lescott considerou também que a prestação tinha apresentado ao treinador um argumento convincente para a escolha da equipa. Caso Haaland estivesse indisponível em qualquer fase da época, fosse qual fosse o motivo, acreditava que Foden demonstrara merecer a responsabilidade de atuar no centro do ataque.
Dos prémios individuais a uma difícil seca de golos
Existe uma referência importante para a produção ofensiva de Foden. Na época 2023-24, em que o City conquistou a Premier League, marcou 19 golos e recebeu tanto o prémio de melhor jogador da Associação de Futebolistas Profissionais como a distinção de jogador da época da competição.
O seu registo mais recente tinha sido bastante menos produtivo. Terminou a época anterior sem marcar nas últimas 31 partidas pelo clube e pela seleção, mas em julho comprometeu o seu futuro ao assinar um contrato por mais quatro anos.
A expulsão em Old Trafford, após um pontapé dirigido a Bruno Fernandes, ameaçou acrescentar novas complicações. Depois desta última exibição, o objetivo passa por dar continuidade à melhoria e transformar aquela noite numa base para um progresso sustentado.
Maresca mantém a confiança em Foden
A satisfação de Maresca com o jogador não começou com este hat-trick. Explicou que já estava satisfeito antes da expulsão e que, desde o primeiro dia no cargo, considerava Foden um dos futebolistas ingleses de maior qualidade.
O treinador reconheceu que diferentes problemas o tinham afetado nos dois anos anteriores, sem questionar a sua qualidade excecional. Continuava a esperar que Foden desse um contributo importante à equipa.
Essa convicção, explicou Maresca, sustentava a vontade do clube de ajudar o jogador a atingir a sua melhor condição. Recuperar a sua melhor versão continuava a ser uma prioridade clara.
Foden dá a resposta de que o treinador precisa
Na análise radiofónica, o antigo jogador de ala da seleção inglesa Ashley Young destacou a forma decidida como Foden aproveitara as oportunidades daquela noite. Na sua opinião, os três golos dariam um enorme impulso à confiança do jogador.
Young salientou também uma vantagem para Maresca: nem Haaland nem Jeremy Doku tinham precisado de entrar em campo. Em vez disso, o treinador pudera recorrer com sucesso aos restantes futebolistas disponíveis no plantel.
Rejeitou a ideia de que aquele onze devesse ser visto como uma equipa de reservas, embora sublinhasse a obrigação dos escolhidos de demonstrarem por que razão mereciam jogar regularmente. Na opinião de Young, a exibição de Foden forneceu precisamente as respostas que o treinador procurava.

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