Os Estados Unidos avançaram para a fase eliminatória da Copa do Mundo FIFA 2026 com uma vitória suada por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina no San Francisco Bay Area Stadium. A partida foi marcada por um cartão vermelho polêmico que deixou os americanos com dez jogadores nos últimos 26 minutos, mas eles resistiram e selaram o resultado com um brilhante chute de falta de Malik Tillman. Os co-anfitriões enfrentarão agora a Bélgica nas oitavas de final na segunda-feira, em Seattle, Washington.
O peso da história
Vencer uma partida eliminatória de Copa do Mundo não é pouca coisa para a seleção masculina dos Estados Unidos. A última vez que conseguiram foi em 2002, quando a equipe de Bruce Arena chegou às quartas de final — um feito alcançado no meio da madrugada americana, quando o esporte ocupava um lugar muito mais marginal na consciência nacional. O cenário mudou enormemente desde então, e esta vitória, conquistada com determinação e esforço coletivo, coloca a geração atual em uma conversa que estava adormecida há mais de duas décadas.
O técnico Mauricio Pochettino não escondeu o orgulho após o apito final. “Estou muito orgulhoso de todos os meus jogadores”, disse ele. A vitória também carrega uma dimensão histórica significativa: aconteceu exatamente 12 anos depois de os americanos serem eliminados pela Bélgica na prorrogação da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Agora as duas seleções se reencontram na mesma fase, com os Estados Unidos chegando com muito mais embalo.
Um início promissor e um gol anulado
Um estádio lotado, com a torcida majoritariamente a favor do time da casa, viveu um ambiente eletrizado desde o primeiro apito. Christian Pulisic foi o catalisador inicial, cortando pelo canal esquerdo no quarto minuto e forçando uma defesa de Stjepan Radeljić. A influência do ponta do AC Milan foi diminuindo ao longo da partida, mas sua energia inicial deu o tom.
A Bósnia e Herzegovina também teve seus momentos. O goleiro Matt Freese foi acionado por volta do décimo minuto, fazendo uma defesa difícil que resultou em escanteio. O jovem meia Kerim Alajbegović tentou então um gol olímpico direto no escanteio, que Freese precisou se esticar para defender.
O meio-campo foi um espaço disputado e físico. Sergiño Dest pressionou repetidamente pelo lado direito, enquanto Weston McKennie aparecia onde quer que surgissem espaços. Folarin Balogun foi uma ameaça constante no ataque. Após 32 minutos, o centroavante do Monaco acreditou ter aberto o placar — a pressão de Dest recuperou a bola, McKennie encontrou Balogun nas costas da defesa e o chute foi preciso. Mas a bandeira do assistente estava levantada por impedimento e o gol foi anulado.
Durante a pausa de hidratação do primeiro tempo, com a banda de rock psicodélico Rising Rhythm se apresentando ao vivo no estádio, os jogadores se reagruparam. Os americanos voltaram ao campo com o mesmo foco que haviam demonstrado até então.
Balogun marca e depois paga o preço
O gol chegou nos minutos finais do primeiro tempo e foi resultado de uma jogada de alta qualidade. O zagueiro Tim Ream disputou com determinação uma bola mal afastada, ganhou o duelo aéreo e, em vez de simplesmente afastar, fez um passe de primeira para McKennie. Um drible inteligente do meia liberou Tillman, cujo chute foi desviado e ficou preso sob o pé de Tarik Muharemović. Balogun foi o mais rápido a reagir e completou para o gol de perto. Desta vez, o gol foi validado.
Balogun quase marcou o segundo logo em seguida. O lançamento de McKennie liberou Dest em profundidade, e seu cruzamento rasteiro encontrou o atacante — mas a bola bateu na trave e saiu.
O segundo tempo começou com a saída de Edin Džeko por lesão aos 50 minutos, o que poderia ter parecido um alívio para a defesa americana. No entanto, a situação piorou drasticamente. Aos 64 minutos, Balogun e Muharemović disputaram uma bola dividida e o pé do atacante caiu sobre o tornozelo do defensor. O árbitro Raphael Claus revisou o lance no monitor e exibiu o cartão vermelho. A reação do banco americano foi de incredulidade — McKennie ficou paralisado, com as mãos na cabeça, enquanto Pochettino gesticulava para o céu em frustração.
Com dez, um momento de magia
Com dez jogadores, os Estados Unidos se reorganizaram e se recusaram a ceder. A Bósnia e Herzegovina avançou com energia renovada, aproveitando a superioridade numérica e criando várias situações perigosas. A linha defensiva absorveu a pressão sem ceder, e a equipe continuou buscando saídas no contra-ataque.
A partida foi decidida quando Dest conquistou uma falta na entrada da área. Malik Tillman se aproximou e executou um chute picado e com efeito que passou por cima da barreira e se alojou abaixo da trave — um gol tecnicamente primoroso que encerrou qualquer dúvida sobre o resultado.
“Tivemos que ir fundo”, disse Christian Pulisic após a partida. “Não saiu exatamente como planejávamos com o cartão vermelho, mas isso mostra o quanto somos um bom time. Na pausa de hidratação dissemos que é isso que é preciso para ser um time realmente forte. E conseguimos.”
A Bélgica espera — com um precedente preocupante
O próximo confronto das oitavas de final contra a Bélgica chega com um precedente recente que convida à reflexão. Os Diabos Vermelhos serão o quarto adversário em cinco neste torneio que os Estados Unidos enfrentaram em um amistoso no último ano. Aquele encontro terminou com uma derrota americana por 5 a 2, com grande parte do atual elenco envolvido na derrota. No papel, os números não oferecem muito conforto.
No entanto, o caráter demonstrado contra a Bósnia e Herzegovina — absorvendo pressão, mantendo a disciplina e produzindo um momento de brilhantismo individual quando mais importava — sugere que este elenco é capaz de mais do que seu histórico em amistosos indica. Os co-anfitriões da Copa do Mundo 2026 conquistaram o direito de sonhar, e toda a nação está assistindo.

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